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O julgamento do macaco

Em 29/05/2026 às 14:51h, por José Carlos Teixeira Giorgis

Há cem anos, Daytona, pequena cidade do Tenesse, se notabilizava por julgamento histórico: John T. Scopes, um pacato professor substituto de Biologia era acusado de violar a Lei Buther que proibia o ensino da teoria da evolução sustentada por Darwin. Na verdade, como muitos afirmam, Scopes teria comentado capítulo de um livro de George William Hunter, autor de assuntos como eugenia, raça e evolução para que, com a divulgação, a comunidade viesse a discutir e anular a lei restritiva. O que conseguiu, como se verá.

Agitaram-se os meios de comunicação do país, os jornais publicaram duras críticas contra as aulas do mestre-escola; as rádios espalhavam argumentos de toda ordem sobre a causa, as atenções se voltaram para as minúcias do conflito judicial. Os hotéis não tinham vagas; a falta de acomodações levou a administração a construir barracões em um parque para o abrigo de dez mil pessoas. E os negócios em Daytona tiveram invejável prosperidade. A reverberação do julgamento trouxe para o debate forense profissionais de maior prestígio na cena nacional. Assim, para a acusação foi escolhido William Jenings Bryan, como promotor especial, presbiteriano, congressista pertencente ao partido democrata, e que fora algumas vezes candidato à presidência. E a União Americana pelas Liberdades Civis contratou nada menos que Clarence Darrow, agnóstico, de Chicago, considerado o melhor advogado do país. Um duelo de gigantes, como se diria depois.

A defesa centrou-se, principalmente, no respeito à Primeira Emenda, que contém cláusula que veda estabelecimento de alguma religião oficial ou que a incentive, bem como proíbe a interferência estatal para fazê-lo. Disso deriva a separação entre Igreja e Estado. Muitas vezes essa emenda é considerada na liberdade de culto ou até de expressão. A acusação baseou-se no fundamentalismo cristão, na prevalência da afirmação bíblica. O julgamento, que durou oito dias, foi o primeiro irradiado nos Estados Unidos. E o então jornalista, e escritor, H.L Mencken cognominou o ato como “ O Julgamento do Macaco”. No fim Scopes foi condenado a uma multa de 100 dólares. Posteriormente a decisão foi anulada, em vista de um “defeito técnico” no júri; e a lei Buther revogada. Reabilitado, Scopes obteve uma cátedra e 5.000 dólares de ordenado.

Passados alguns anos, a Sociedade de Publicidade, de Nova York veio a público para declarar, que foi por interferência sua a Municipalidade de Daytona (menos de 2.000 habitantes) decidira promover o processo, no intento de atrair muitas pessoas, o que ofereceria a probabilidade de venda de grandes lotes de terras que não obtinham compradores. Segundo Gibson, a administração local “comprou” a ideia por 1.500 dólares, reduzindo “o processo do século” a uma consequência involuntária da mera esperteza dos gestores municipais. O que não afetou a importância do julgado.

O episódio originou o filme “O vento será tua vingança “, 1960, com Spencer Tracy, Frederic Marc e Gene Kely.

Passou na matinê do Avenida.

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