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Caso Rodrigo “Lacraia”: crime em 2013 expôs violência, vulnerabilidade e lacunas na legislação

Em 12/05/2026 às 14:26h
Rochele Barbosa

por Rochele Barbosa

Caso Rodrigo “Lacraia”: crime em 2013 expôs violência, vulnerabilidade e lacunas na legislação | Minuano Conecta | Jornal Minuano | O jornal que Bagé gosta de ler
Foto: Reprodução Jornal Minuano

O segundo caso abordado no podcast *Almoxarifado de Crimes* é o assassinato de Rodrigo Pires Franco, conhecido como “Lacraia”, ocorrido em 2013, em Bagé. Aos 30 anos, Rodrigo era uma figura bastante conhecida na cidade, especialmente por sua participação no carnaval, onde se destacava como musa e integrante ativa de escolas de samba. Sua presença marcante, carisma e envolvimento com a cultura local faziam dele uma pessoa querida e reconhecida em diversos espaços sociais.

Na noite do crime, dia 13 de julho de 2013, Rodrigo foi morto nas proximidades da Avenida Presidente Vargas, em uma área próxima a uma boate. Conforme relatado no podcast conduzido pela jornalista Rochele Barbosa, e com a entrevistada, advogada Francine Ávila, ele teria oferecido um programa a um guardador de carros, situação que evoluiu para uma discussão e, posteriormente, para uma agressão extremamente violenta. O agressor desferiu golpes físicos e, segundo os relatos, chegou a pressionar o pescoço da vítima, o que resultou em sua morte.

A brutalidade do crime chocou a comunidade local e gerou forte comoção, especialmente entre integrantes e apoiadores da comunidade LGBTQIA+. Na época, manifestações foram organizadas em Bagé como forma de protesto e de cobrança por justiça, evidenciando que o caso ultrapassava a esfera individual e se tornava um símbolo de uma violência maior, enraizada no preconceito.

Outro aspecto que marcou profundamente o episódio foi a demora na chegada da perícia ao local. Como destacado no podcast, o corpo de Rodrigo permaneceu exposto por várias horas, cercado apenas pelo isolamento policial, o que intensificou o impacto emocional da cena para quem acompanhava o caso. A situação também levantou questionamentos sobre a estrutura e a agilidade dos serviços periciais na região.

No âmbito judicial, o autor do crime foi condenado a 14 anos de reclusão. No entanto, mesmo com a gravidade dos fatos e com indícios apontados ainda no inquérito de que se tratava de um crime motivado por homofobia, a condenação não ocorreu com base nessa motivação específica. Isso porque, em 2013, ainda não havia uma legislação consolidada que enquadrasse de forma objetiva a homofobia como circunstância qualificadora do homicídio.

A qualificadora aplicada no caso foi a de motivo torpe, relacionada ao desacordo pelo pagamento do programa — o que, segundo a análise apresentada no podcast, revela uma contradição no sistema jurídico da época. Como explica a advogada Francine Ávila, o reconhecimento da homofobia como agravante dependia da interpretação subjetiva de delegados, promotores e jurados, o que frequentemente resultava em enquadramentos que não refletiam plenamente a motivação discriminatória do crime.

Essa lacuna legal evidencia um período em que crimes contra pessoas LGBTQIA+ não encontravam respaldo adequado na legislação penal, dificultando não apenas a punição proporcional dos autores, mas também o reconhecimento social da violência motivada por preconceito.

A reflexão proposta no podcast vai além do caso em si. O assassinato de Rodrigo expõe uma realidade de vulnerabilidade enfrentada por muitos integrantes da comunidade LGBTQIA+, especialmente aqueles que, por falta de oportunidades e acolhimento, acabam recorrendo à prostituição como forma de sobrevivência. Trata-se de um contexto em que fatores como exclusão familiar, dificuldade de inserção no mercado de trabalho e preconceito estrutural contribuem para situações de risco.

Além disso, o caso levanta um debate importante sobre como a sociedade enxerga essas vítimas. Muitas vezes, a condição em que estavam é utilizada para relativizar a violência sofrida, desviando o foco do crime em si e reforçando estigmas. A ausência de políticas públicas efetivas de inclusão e proteção também aparece como elemento central nesse cenário.

Mais de uma década depois, o caso Rodrigo “Lacraia” permanece como um marco em Bagé — não apenas pela violência do crime, mas por evidenciar a necessidade de avanços legais e, principalmente, de uma transformação cultural que combata o preconceito e garanta dignidade e segurança a todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

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